Comentário dos Leitores

Acabei de ler o livro nesse fim de semana e gostei muito. Não é coisa de principiante, mas uma inserção madura na literatura brasileira. Não pare de escrever! Parabéns e um abraço,

 

Cacá Diegues

 

Da terapia ao submundo da política
Um psicanalista, Bernardo, registra as sessões de um dos seus pacient e decide publicar após a morte. Isso se sabe logo nas primeiras linhas. O que parece ser uma simples conversa entre médico e paciente leva o leitor a uma inesperada e surpreendente sucessão de fatos narrada pelo paciente do qual não se sabe o nome. Dono de uma gráfica, herdada da família, o personagem principal do livro diz que sabe um pouco de muita coisa. Por isso grande parte do livro ele empilha, de forma hilariante, conhecimentos inúteis sobre o uma infinidade de eventos e coisas. Ao mesmo tempo, ele vai narrando a trama em que se envolveu numa aventura reveladora sobre a corrupção na política, sexo e drogas. Por causa do ritmo intenso da fala do personagem principal, o paciente de Bernardo, eu preferi ler devagar para sorver cada boa sacada do excelente frasista que ele é. Nesse primeiro romance o jornalista mostrou criatividade e um roteiro original, além de um texto cortante e bem escrito. A orelha foi escrita por Jô Soares.

 

Miriam Leitão

 

Primeiro livro de ficção desse jornalista que, desde 1974, teve sua carreira sempre ligada ao jornal O Globo e à TV Globo. Hoje ele é diretor de Análise e Controle de Qualidade da Programação. Acabo de ler seu livro e achei simplesmente o máximo. Delirante, rápido, cheio de informações verdadeiras, ou nem por isso, nunca óbvio, excitante, mirabolante, engraçado, narrado na primeira pessoa por um anti-herói extraordinário, uma experiência imperdível.

 

Marília Gabriela no Instagram

 

“Ninguém lê um livro. Lê-se através dos livros”.
É fascinante notar o quão criativas são algumas pessoas. Acabei de devorar o vaporoso “Antes que eu morra”, de Luis Erlanger: para maiores de 16, por conter sexo, drogas e violência. Mas não só. Tem, também, experiência, linguagem, escândalo, frenesi, suspense, ritmo, política. Pra mim, um “livro-filme”, se é que o termo existe. Road-book pode?
O protagonista sem nome tem caráter único: ame ou odeie este egocêntrico ser que não tem umbigo, especialista em generalidades, que tergiversa o quanto lhe convém, divagando, no divã de análise, por páginas e páginas, como em tempo real. Às vezes não se entende o que quer dizer, afinal, ninguém saca tudo, o tempo todo, com maestria, seja nas neuras da psicanálise ou nas da vida, mesmo. A ideia central do livro é incrível. O primor do título se encaixa perfeitamente à feroz habilidade de contar histórias viscerais com verdade e paixão. Em “Antes que eu morra”, Erlanger nos provoca o tempo todo: “será isso verdade?”
Confesso que investiguei, via ferramenta de busca, desde histórias de músicas como “Otis Regrets” até paranoias de sobrevivente às pragas mundanas.
Em um dos capítulos, tentando ser discreta, me peguei fazendo a experiência de pressionar as pálpebras, de olhos fechados contra a luz, para ver as imagens daquelas estrelinhas que aparecem pra gente na escuridão do olhar, como num passe de mágica visual. Coisa que todo mundo conhece, mas ninguém teve ideia de escrever.
Gostei bastante desta fértil viagem com volta, rumo ao intelecto. Obrigada, Sr. Erlanger... detetive da alma.

 

“Da minha vida, apenas agradeço ao meu pai por ter morrido cedo o suficiente para eu não precisar matá-lo, e à minha mãe, por ter vivido o bastante para perder a vontade de comê-la”. (L.E.)

 

Resenha de Brenda Ligia Miguel – atriz